4 de dezembro de 2010

E quando...

E quando nos dói e não sabemos onde? E quando o que nos dói é tudo? E quando a dor não é física? Costumam dizer que todos nós temos um limite… eu pergunto-me, o que é que se diz quando algum de nós já passou há muito tempo desse limite? E quando engolimos as lágrimas porque sabemos que, apesar de às vezes chorar fazer bem, não nos podemos deixar ir? Porque se formos, talvez não consigamos voltar. E quando nos apetece enfiar debaixo dos cobertores e ficar ali à espera que os dias passem? E quando sabemos que não temos nada para dizer, mas inventamos uma e outra vez para nos alimentarmos, para nos sentirmos vivos? Quando essa dor é tão grande e ampla que não dá para explicar. E se não dizemos, não é por orgulho ou desconfiança, é medo que nos doa mais. É vergonha. E quando sentimos medo? E vergonha? E raiva?

E quando os outros julgam que aquilo que nos dói é só um terço do que aquilo que realmente é?

E quando os outros se queixam? Meu Deus, quando os outros se queixam… e quando nos invejam por uma vida que nem fazem ideia do que é? Querem-na? Levem-na! A sério. Depois falamos.

E quando já não queremos mais nada, não queremos um amor, não queremos uma carreira de sucesso, não queremos fortunas. Não. Queremos apenas que nos deixam sossegados. A sério. Que por um momento, nos deixem livres de preocupações.

Que é que se faz?