21 de setembro de 2008
17 de setembro de 2008
Desaparece e abraça-me! - II
"Ontem estivemos juntos, naquele café que sempre me obrigavas a ir. Nunca gostei daquilo, como bem sabes, o raio das pessoas sempre a falarem muito baixinho, as flores em cima das mesas, os empregados com um ar assustador como se fossem a qualquer hora tocar uma serenata – ai de ti que algum dia tivesses tido a triste ideia de me tocar uma serenata – mas, como sabes, fui eu que te convidei para lá irmos, e porquê naquele sítio? Para que visses que eu sei do que gostas e que sou capaz de ultrapassar as minhas vontades para te ver feliz. Não sou assim tão egoísta, meu amor.
A conversa começou bem, foi fluindo bem nas primeiras estações, como é que estás, como é que não estás, e o cão? E os teus pais? Já acabaste aquele livro que andavas a ler? Como estão as coisas lá no trabalho? Até que, silêncio, e a merda do empregado que aparece, com aquele ar de parvo
- Os pombinhos vão desejar mais alguma coisa?
Não imaginas a vontade que tive de o mandar para um outro sítio, bem longe daquela mesa, um sítio bem ordinário. Mas não. Limitei-me a sorrir, “não, obrigada”. Silêncio. Eu:
- Hás-de me dizer o que tem ela a mais de que eu?
- Quem?
- A outra com quem te andas a deitar.
- Estás com ciúmes, é?
(grande parvalhão)
- Ciúmes? Teus? Deixa-me rir… Só estou a meter conversa, além de que tenho curiosidade em saber, confesso, porque raio um badameco como tu, me troca por outra, que nunca poderá ser melhor do que eu.
- Estúpida. Consegues ser tão desagradável.
- Custa-te ouvir as verdades não é meu menino? Pois bem, comigo sabes que é assim, nada fica por dizer.
- Sei sei, bem sei, e é por isso que te deixei, lembras-te? E fica sabendo que ainda não arranjei outra mas tenho a certeza que não será difícil, para ser melhor do que tu, basta que tenha coração.
- Meu grande filho da mãe.
- Que foi? Custa-te ouvir as verdades minha menina?
Não te respondi, digo-te agora, sim, custa. Levantaste-te, pagaste a conta e foste embora. Nem um beijo. Nem sabes o que me arrependi toda a tarde pelos disparates que disse. Não era assim que queria que terminasse o nosso encontro, aliás, não contes a ninguém, mas tencionava trazer-te para minha casa…tinha preparado o quarto ao jeito que tu gostas. As flores, as velas, os lençóis…aqui sentada, olho para este cenário toda e sinto-me vazia.
Onde estarás agora?"
Desaparece e abraça-me!
"Amaldiçoo-o o dia em que me apaixonei por ti. Quase que te oiço dizer agora que essa é típica coisa dita por mim, talvez o seja, mas, meu bem, juro que amaldiçoo-o esse dia. Queres que me sinta culpada pelas tantas coisas que aconteceram, mas eu não me sinto, se tem de haver culpados, podes crer que és tu. Eu disse-te, meu cabrão, eu disse-te que daqui podias levar tudo, menos paixão, porquê que, achando-te mais esperto que eu, me fizeste apaixonar por ti?
Um estúpido, é aquilo que tu és. E eu, parva, deixei-me levar na tua conversa, que me amavas tanto, que eu era a única capaz de te fazer feliz, que já imaginavas os nossos filhos a correrem pela nossa casa ao domingo de manhã, que nunca me ias largar, que nunca ias desistir de mim, que eu era a mulher para a vida toda. Mentiras. És um mentiroso, é aquilo que tu és! Cabrão insensível…pior, cabrão sensível. Só porque eu não me queria casar contigo, só porque eu não te queria agarrar a toda a hora, só porque eu – dizes tu – não tinha ciúmes teus, só porque eu era muito complicada.
“Deves ser bipolar” disseste tu um dia quando quis ir que fossemos para a cama depois de uma discussão. Olha, se calhar sou bipolar, é isso mesmo, e daí? Amei-te, ainda te amo, porque tu me obrigaste. E agora? Deixas-me aqui? Sozinha… a acordar sem ti, a sentir a dolorosa passagem dos dias, a sentir falta do teu sorriso, das tuas piadas estúpidas, de fugir dos teus abraços, oh meu amor, de fugir de ti porque sabia que me ias apanhar e amar-me, sempre, tão bem… Estúpido. Juro que te odeio."
12 de setembro de 2008
Pensamento do dia
11 de setembro de 2008
Desabafo
Não sei, sinceramente, porque ainda me dou ao trabalho...
9 de setembro de 2008
Amores Perfeitos - Fim
"Continuou. Continuou naquela relação, que era a única coisa que tinha. Lembrava-se dos tempos de início, os melhores da sua vida, nunca se tinha sentido tão amada e especial. Sentia-se alguém, com ela. Começou a sentir a esperança das coisas poderem voltar ao que eram, fez tudo para esquecer, e aos poucos foi conseguindo. Ao mesmo tempo que seguía em frente, do seu lado, ia pensando mais em si, e começou a fazer mais coisas por si, por mais que a amasse e quisesse estar do seu lado, queria deixar de se sentir que a sua vida era ela, queria que a sua vida fosse mais, e ela, apenas uma parte. Juntas ultrapassaram a crise, e conseguíram ser mais felizes.
Se houve outra traição? Não, que se saiba, mas no fundo…quem poderá saber?"
8 de setembro de 2008
Intervalo
Pensei que em Portugal se podia realizar um filme baseado nas músicas das Doce, e era um género de um reencontro entre umas senhoras amigas, assim cabeleireiras e assim e um dos diálogos podia ser do tipo:
-Ai mulher, tu lembras-te quando a gente dançávamos e cantávamos a noite toda nos bailes?
-Ai mulher atão não me lembro, era bem bom, olha
(todas)"Bem bom duas da manhã
Bem bom já três da manhã, hei
Bem bom quatro da manhã
Bem bom cinco da manhã, hei
Bem bom já seis da manhã
Bem bom sete da manhã, hei
Bem bom oito da manhã
Bem bom café da manhã pra dois
Sem saber o que virá depois
Bem bom"
Um momento de descompensação...
Amores Perfeitos - Continuação
"Mas por outro lado sabia que não tinha de viver aquilo, era injusto. Claro que estava nas suas mãos acabar mas, e depois? O que podia fazer? a vida que tinham construído, não era tão sua quanto isso. Quando mudou para casa da Joana não tinha nada, como já aqui foi dito. Automaticamente a casa passou a ser das duas, mas na realidade não era assim. Se saísse daquela casa, para onde ia? O seu salário não dava para muito, nem sequer para alugar um pequeno apartamento. Saindo dali perdia todas as regalias a que se tinha acostumado, as roupas, os livros, os dvd’s, as viagens…tudo o que o seu dinheiro não era capaz de comprar. E o carro? O maior representante de autonomia, com ele podia ir onde quisesse e fazer o que lhe apetecesse, sem depender de ninguém, também esse tinha sido oferecido por ela.
E querê-la apesar de tudo. O pior de tudo era as horas em que não estavam juntas. Pensava o que estaria ela a fazer e com quem, só descansava quando as duas dividiam o mesmo sítio…em silêncio pois já nem a sua voz suportava ouvir. Ali estava, numa encruzilhada, era como se sentia.
O que fazer?"
5 de setembro de 2008
Amores Perfeitos - Continuação
"Não suportava traições. Toda a sua vida fora contra qualquer tipo de traição e sempre pensou ser incapaz de perdoar uma. Mas agora…agora que estava a viver aquilo, não sabia o que fazer. Não a podia deixar, não saberia viver sem ela, e sem tudo o que a vivência com ela lhe trouxe. Ao mesmo tempo, não conseguía ser feliz ao seu lado. Sentia-se triste, angustiada, confusa, insegura. Curiosamente, o seu maior medo era perdê-la. Durante muito tempo guardou para si toda aquela situação, não teve coragem para contar a ninguém mas na verdade nem se esforçava muito para disfarçar o seu estado de espírito. Deslocava-se de um lado para o outro com uma apatia que não passava despercebida a ninguém. Pouco falava, e quando falava não era muito coerente no seu raciocínio. Em casa, sozinha enquanto ela estava a trabalhar, sentava-se no sofá com tudo desligado a olhar para nada e a pensar no que fazer.
Às vezes pensava que estava a dar demasiada importância ao assunto, que estava a dramatizar fazendo jus ao que lhe diziam muitas vezes
- “és muito complicada, dramatizas sempre tudo. O que para uma pessoa normal é uma coisa mínima para ti é um enorme problema” "
Contínua...
