Neste momento, se visse um cego na rua, nem sequer o podia mandar cantar.
Só espero não ver nenhum… Felizmente se vir algum, sempre posso disfarçar, porque à partida não me vão ver.
O que penso e todas as coisas que me fazem ser quem sou..
Neste momento, se visse um cego na rua, nem sequer o podia mandar cantar.
Só espero não ver nenhum… Felizmente se vir algum, sempre posso disfarçar, porque à partida não me vão ver.
Pergunto-me se será esta uma prenda antecipada? Pergunto-me se será este o ponto final? Queria comemorar mas tenho medo, um medo maior do que a dor, porque a dor sente-se e ao se sentir conhece-se e sabe-se que das duas uma, ou piora ou desaparece. Mas a ausência, a ausência torna a dor maior, a ausência traz o desconhecido, e a dúvida, será que volta? Será que ainda não é desta, o descanso “do guerreiro”? E com a ausência fica a ansiedade, a angústia, que a paz acabe e recomece tudo de novo. E assim, a dor é substituída pelo medo. Mas não deixa de ser uma felicidade, sem por os pés no chão, sem falar muito, para não estragar a pintura.

"- És um cretino!
Bati a porta e saí. Sabendo no entanto que a cretina era eu. Enganei-o. Enganava-o quando lhe dizia que estava bem com uma relação sem compromissos, enganava-o quando dizia que apesar de gostar dele, não me era assim tão importante. E que sim, que ele até podia ter outra e eu outro que isso nem tinha mal nenhum, e que se sentisse à vontade para seguir a vida dele quando quisesse. Não havia problema.
Mas a verdade é que o amei desde o primeiro dia em que o vi. E desde então ele passou a ser a coisa mais importante da minha vida. Não. Ele passou a ser a minha vida. Mas nunca lho disse. Tal como nunca lhe disse que nunca amei ninguém antes dele, que o nosso primeiro beijo foi como se o meu primeiro. Que os dias não eram mais do que horas à espera dele.
Por tudo isso talvez ele não entenda que quando
- Gostei de estar contigo mas acho que devíamos ficar por aqui…
tudo em mim morreu. O meu coração deve ter parado, ou saltou-me para a boca – nem sei bem. Deixei de ver, de pensar, de ouvir. Os meus olhos cheios de lágrimas e ele
- Não entendo porque estás assim!
e eu, porque sim, porque tu és um cretino. E talvez ele não entenda, nunca vá entender o porquê de o ser mas às tantas até vá acreditar que sim, que é um cretino, quando até nem é. Mas que jeito tinha, eu sair a gritar
- Sou uma grande cretina!?"