11 de dezembro de 2008

Pois é...

Neste momento, se visse um cego na rua, nem sequer o podia mandar cantar.

Só espero não ver nenhum… Felizmente se vir algum, sempre posso disfarçar, porque à partida não me vão ver.

Desencontros

Disseste-me

(Encontra-te)

e foi isso que fiz, por ti, concentrei-me na procura de mim e por fim, encontrei-me. Aqui estou, tal como pediste, mas entretanto deixei de te ver. Onde estás? Perdi-te. Será? Deste-me tudo para que podesse ser eu, mas agora falta-me o essencial, faltas-me tu. Talvez não me tenha encontrado afinal, eu não posso ser eu se não estiveres aqui.

Disseste-me

(Encontra-te)

E nesse entretanto, desencontrei-te.

9 de dezembro de 2008

Ao de leve...

Pergunto-me se será esta uma prenda antecipada? Pergunto-me se será este o ponto final? Queria comemorar mas tenho medo, um medo maior do que a dor, porque a dor sente-se e ao se sentir conhece-se e sabe-se que das duas uma, ou piora ou desaparece. Mas a ausência, a ausência torna a dor maior, a ausência traz o desconhecido, e a dúvida, será que volta? Será que ainda não é desta, o descanso “do guerreiro”? E com a ausência fica a ansiedade, a angústia, que a paz acabe e recomece tudo de novo. E assim, a dor é substituída pelo medo. Mas não deixa de ser uma felicidade, sem por os pés no chão, sem falar muito, para não estragar a pintura.

Amália, o Filme!


Vi a apresentação uma semana antes da estreia e fiquei com vontade de ver. Pareceu-me um filme muito bem realizado, ao nível internacional, como aliás acredito que seja o caminho dos nossos filmes nos próximos tempos.

Fui ver. Numa 6a à noite. Julguei que ia encontrar a sala de cinema vazia. Qual não é o meu espanto quando vejo que não. A sala foi enchendo e nos entretantos as luzes apagaram-se e o filme começou. De início aquela sensação que o fado me causa, aquela sensação nem sei bem de quê. Até ao fim, a mesma sensação. Até ao fim, os momentos em que me ri, as lágrimas que me surpreenderam. E aquela sensação que o fado me deixa, nem sei bem de quê. Gostei. Gostei do filme. Gostei da Amália, aquela que ali vi. Não sei se o filme é real, só sei que gostei.


"Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais."

Amália Rodrigues

No fundo, este fado diz tudo.

5 de dezembro de 2008

Sitios a visitar

Passeando pelo sapo dei conta disto! Ainda me ri um bom bocado, mas não estava satisfeita, então, partindo desse blog, encontrei este. Bem, e desde então caros amigos, tem sido risota atrás de risota! Muito bom mesmo!!!!

3 de dezembro de 2008

Gosto > Não gosto

Gosto da Anatomia de Grey. Gosto de fado. Gosto da Simone de Oliveira. Gosto do Carlos do Carmos. Gosto do Herman José. Gosto dos bons artistas portugueses, no fundo. Gosto de Portugal nos dias sim. Gosto assim assim de Portugal nos dias não. Gosto de mim. Gosto de bonecos de peluche. Gosto de gatos. Gosto do Pai Natal. Gosto de música calma, que por vezes faz chorar. Gosto de me rir. Gosto de ler, tanto. Gosto de teatro. Gosto de cinema. Gosto de ler crónicas. Gosto das crónicas do António Lobo Antunes, na revista Visão. Gosto do rio. O Tejo, nosso. O Douro. Gosto de paisagens. Gosto de leite com chocolate. Gosto de romance. Gosto de gente. De boa gente. Cansei-me de dar oportunidade a não tão boa gente. Não gosto da gente mesquinha, da gente cínica, da gente egoísta e egocêntrica. Não gosto de gente que fala por falar. Não gosto de encarar a realidade dramática à volta do meu mundo. Não gosto das minhas dores. Não sei se ainda gosto do Natal.

26 de novembro de 2008

Uma vida normal

"Uma vez perguntaram-me como é que eu me sonhava. Se em alguns sonhos ganharia mãos, se as próteses se transformavam em pernas. Não precisei de pensar muito: sonho-me como sou.
Nunca me vi de outra forma e por isso talvez nem tenha sequer imaginação para construir outra imagem. Desde pequenino que sei que sou assim, sei que sou diferente. Gosto de mim como sou."

Paulo Azevedo
Uma Vida Normal

E quem é o Paulo Azevedo? É este.

Quando leio, ouço, ou vejo depoimentos e histórias de vida como a do Paulo, não consigo deixar de me sentir pequena.

23 de novembro de 2008

Rasgo...

"- És um cretino!

Bati a porta e saí. Sabendo no entanto que a cretina era eu. Enganei-o. Enganava-o quando lhe dizia que estava bem com uma relação sem compromissos, enganava-o quando dizia que apesar de gostar dele, não me era assim tão importante. E que sim, que ele até podia ter outra e eu outro que isso nem tinha mal nenhum, e que se sentisse à vontade para seguir a vida dele quando quisesse. Não havia problema.

Mas a verdade é que o amei desde o primeiro dia em que o vi. E desde então ele passou a ser a coisa mais importante da minha vida. Não. Ele passou a ser a minha vida. Mas nunca lho disse. Tal como nunca lhe disse que nunca amei ninguém antes dele, que o nosso primeiro beijo foi como se o meu primeiro. Que os dias não eram mais do que horas à espera dele.

Por tudo isso talvez ele não entenda que quando

- Gostei de estar contigo mas acho que devíamos ficar por aqui…

tudo em mim morreu. O meu coração deve ter parado, ou saltou-me para a boca – nem sei bem. Deixei de ver, de pensar, de ouvir. Os meus olhos cheios de lágrimas e ele

- Não entendo porque estás assim!

e eu, porque sim, porque tu és um cretino. E talvez ele não entenda, nunca vá entender o porquê de o ser mas às tantas até vá acreditar que sim, que é um cretino, quando até nem é. Mas que jeito tinha, eu sair a gritar

- Sou uma grande cretina!?"

21 de novembro de 2008

Um dia...

Um dia talvez deixe de me esforçar por entender as pessoas. Um dia talvez deixe de me irritar com o seu egoísmo. Um dia talvez passe a ser também eu, uma pessoa egoísta.

(e será que já não sou?)

Um dia talvez desista das pessoas. Depois logo se vê.

20 de novembro de 2008

Às vezes....

Às vezes, sem que nada o fizesse prever, uma vontade enorme de desaparecer. De não estar em lado nenhum, esquecer, mas acima de tudo, ser esquecida. Deixar de pertencer, que deixassem de sentir a sua falta. Que não fizessem perguntas. Que não quisessem saber onde está, como está, e quando aquele programa combinado.

Às vezes, sem mais nem menos, a vontade de se perder no meio da multidão. Não ter presente, não ter passado. Não ser ninguém.

Às vezes, sem motivo aparente, uma tristeza tão grande, tão grande, que o coração parece que deixa de existir.