17 de setembro de 2008

Desaparece e abraça-me! - II

"Ontem estivemos juntos, naquele café que sempre me obrigavas a ir. Nunca gostei daquilo, como bem sabes, o raio das pessoas sempre a falarem muito baixinho, as flores em cima das mesas, os empregados com um ar assustador como se fossem a qualquer hora tocar uma serenata – ai de ti que algum dia tivesses tido a triste ideia de me tocar uma serenata – mas, como sabes, fui eu que te convidei para lá irmos, e porquê naquele sítio? Para que visses que eu sei do que gostas e que sou capaz de ultrapassar as minhas vontades para te ver feliz. Não sou assim tão egoísta, meu amor.

A conversa começou bem, foi fluindo bem nas primeiras estações, como é que estás, como é que não estás, e o cão? E os teus pais? Já acabaste aquele livro que andavas a ler? Como estão as coisas lá no trabalho? Até que, silêncio, e a merda do empregado que aparece, com aquele ar de parvo

- Os pombinhos vão desejar mais alguma coisa?

Não imaginas a vontade que tive de o mandar para um outro sítio, bem longe daquela mesa, um sítio bem ordinário. Mas não. Limitei-me a sorrir, “não, obrigada”. Silêncio. Eu:

- Hás-de me dizer o que tem ela a mais de que eu?

- Quem?

- A outra com quem te andas a deitar.

- Estás com ciúmes, é?

(grande parvalhão)

- Ciúmes? Teus? Deixa-me rir… Só estou a meter conversa, além de que tenho curiosidade em saber, confesso, porque raio um badameco como tu, me troca por outra, que nunca poderá ser melhor do que eu.

- Estúpida. Consegues ser tão desagradável.

- Custa-te ouvir as verdades não é meu menino? Pois bem, comigo sabes que é assim, nada fica por dizer.

- Sei sei, bem sei, e é por isso que te deixei, lembras-te? E fica sabendo que ainda não arranjei outra mas tenho a certeza que não será difícil, para ser melhor do que tu, basta que tenha coração.

- Meu grande filho da mãe.

- Que foi? Custa-te ouvir as verdades minha menina?

Não te respondi, digo-te agora, sim, custa. Levantaste-te, pagaste a conta e foste embora. Nem um beijo. Nem sabes o que me arrependi toda a tarde pelos disparates que disse. Não era assim que queria que terminasse o nosso encontro, aliás, não contes a ninguém, mas tencionava trazer-te para minha casa…tinha preparado o quarto ao jeito que tu gostas. As flores, as velas, os lençóis…aqui sentada, olho para este cenário toda e sinto-me vazia.

Onde estarás agora?"

3 comentários:

*alma de poderosa* disse...

realment cm a gent as vzs diz uma quantidade enorme d disparates kd n verdade n os keremos dzr!
raio do amor que nos fz ter blokeios mentais!
e raio dos empregados d mesa k dzm sp mais d k devem!
malvado quarto arranjadinho k nos assombra a alma!
keep going..

Blood Tears disse...

Dizemos o que não devemos, e depois.... Os quartos continuam vazios.... Mas a conquista continua...


Hum... Até os empregados quiseram agradar, e estragaram o resto...

^^

Blood Kisses

I'm a Saint! disse...

Perdeu alguém de quem gosta muito, está irritada com tudo o que lhe rodeia. Quer voltar ao que era antes.