Fecho os olhos, uma e outra vez, na tentativa de esquecer que quase me afogava numa água que nunca cheguei a mergulhar. A cabeça pesa-me. Pesa-me como poucas vezes me lembro de pesar. Acabou. Um arrastar de tudo. Um arrastar de nada. Acabaram-se. Os sonhos. Aqueles. Morreu. A esperança. Aquela. E agora? É necessário virar a página, para não se enlouquecer. Mudar o rumo. Começar tudo de novo, se preciso. Visionar um barco, e tentar alcança-lo. Antes mesmo de me molhar.
Felizmente o dia está a acabar, e amanhã já vai estar tudo bem. E vou para a Nazaré. E venho de lá renovada. Porque tem de ser. Porque me restam duas alternativas, deitar-me no chão a lamentar-me ou levantar-me e fazer o caminho seguinte. Recomeçar. Naturalmente, sendo quem sou, opto pela segunda. Amanhã vai estar tudo bem.


