31 de março de 2009

Eu e os meus Pensamentos

Eu e os meus pensamentos, frente a frente, numa conversa decisiva.

Eles “Então vamos lá a saber, ao que vem?”

(de notar que não existe uma grande intimidade entre mim e eles, daí o tratamento por “você”)

Eu “sabem que nem eu sei? Para aqui ando, confusa, eu sei lá…sinto-me assim, baralhada

Eles “e diz-nos isso a nós? Acha que não sabemos que anda baralhada? O pensamento “y” ontem ainda se fartou de vomitar com as voltas que teve de dar em si, e vem-nos agora com essa conversa. Ainda se nos dissesse alguma novidade…

Eu “que é que vocês querem? Eu não tenho culpa. Aliás, havendo culpados são vocês, que não me largam. É pá, larguem-me da mão um bocadinho, vá lá!”

Eles (irritados) “mas o que és tu sem nós? Achas que é que por boa vontade que andamos às voltas aí? Achas que gostamos? Que não temos mais que fazer, noutra pessoa por exemplo? Se achas estás muito bem enganada minha menina. Estamos aqui porque este é o nosso papel. Porque um dia nos criaste e agora nem se nós quiséssemos poderíamos sair, porque, em saindo, deixávamos de existir, nós e tu. Agora tens bom remédio, aguenta-te. Finge que não nos ouves se quiseres, mas desaparecer nós não desaparecemos.

Eu (envergonhada) “oh, vocês desculpem…não foi por maldade que vos criei..mas sabem, tempo a mais, sempre, desde sempre… e aí vocês surgiram, que havia eu de fazer? durante um tempo deram-me tanta felicidade, eram a melhor coisa que eu tinha… mas depois foram aparecendo mais, e mais e cada vez mais, e às tantas até já se atropelam…acham que eu consigo dar vazão a isto tudo? Parece-vos possível? A mim não.”

Eles “paciência…tens de ter paciência

Eu “ e eu tenho, amigos, palavra que tenho…mas sei lá, porquê que por exemplo não fazem turnos? Fazia-se uma selecção e umas vezes estavam uns e outras outros, que tal? Hã? Parece bem não é verdade?”´

Eles “e para onde iam os outros nos entretantos?

Validade...

Sabes o que eu gostava? Que voltássemos ao início de cada vez que perdessemos a validade. Porque eu acho que é isso que nos acontece, que nós perdemos a validade. E eu gostava que tu e eu voltássemos sempre a ser nós. Chateia-me que as coisas deixem de fazer sentido entre nós. E tenho saudades de sorrir para ti. E de quando nos ríamos das mesmas coisas. Quando eu fazia parte da tua vida, e tu da minha. Não queria que tivéssemos perdido a validade, mais uma vez... Mas a vida não é tudo o que queremos, e definitivamente perdemos a validade. Sinceramente? Tenho muita pena, mas não vou voltar ao início...não contigo!

O Zôo...

Sim, fui ao Jardim Zoologico no Sábado. Sim estava um vento "ai Jesus". Mas sim, eu fui mesmo assim. Bom, tirando as coisas das árvores (perdoem-me, não sei o nome) que teimavam em me cair em cima e me fizeram uma alergia chatinha, foi girissimo!

Vi os Leões Marinhos que gosto tanto. Vi os Tigres, os Pinguins, os Leões... Vi bichinhos que não me lembro do nome mas que eram tão girossssss.... Vi de tudo um pouco. Aprendi muito.

E vi pombos, tantos pombos, Meu Deus! Mas porquê? E vi um gato na zona dos rinocerontes (?). Vi. Em breve, quiça umas fotos desse dia por aqui...

26 de março de 2009

Não sei...

Gostava de conseguir juntar as palavras suficientes para descrever o que sinto. Como me sinto. Gostava de ser capaz de explicar. De entender. Mas não sou, e o pior, o pior é o não entender. Às vezes tenho medo de deixar de ser quem sou. De esquecer-me de sorrir, de me rir de coisas parvas. Tenho medo de me esquecer que a vida é boa e é para ser vivida, na maior parte das vezes a brincar. Tenho medo de ficar demasiado séria. Parece ridículo pensar isto, logo eu… mas eu, este Eu que vos escreve está cada vez mais ausente.

Às vezes dou por mim parada, simplesmente a olhar para o vazio, e penso que não faria mal se eu ficasse assim, dias infinitos a olhar para o vazio. Há vezes é o vazio que me preenche. Às vezes só no vazio me encontro. E eu já não sei de mim… E eu podia-me fazer valer das palavras do Fernando Pessoa e dizer que “o que há em mim é sobretudo cansaço” mas nem sei se chega a ser. Cansaço do quê no fundo? Não há nada de que estar cansada. Não há. Nunca houve. E então poderá ser cansaço isto que sinto? É outra coisa talvez. Que me destrói. Que me apaga. É como se fosse uma lâmpada, que fosse perdendo a potência e por fim fundisse. Estou a perder a luz.

E perguntar-me-iam se é por isto ou por aquilo? Nem sei dizer. É por tudo, é talvez por nada. Não quero ser mal agradecida, já fui tão feliz. Mas o passado é o quê? Nada. E o hoje? Nem sequer existe… de resto, não sei se alguma vez terei futuro. E esta dor, que não sei se é tristeza, se é angústia, se o que é, vai ficando e fazendo de mim quem não sou.

E isto não mais é do que uma quantidade de palavras escritas em itálico sem qualquer significado. Porque as palavras certas, eu não encontro.